Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Música’ Category

Iê Iê Iê

Em seu novo álbum, denominado “Iê iê iê”, Arnaldo Antunes mescla novos ritmos do rock com o bom velho senso crítico presente na maioria das obras do músico, desde sua infância musical, na banda titãs.

As letras são bem trabalhadas e as brincadeiras com as palavras se fazem constantes desde a primeira música, que dá nome ao álbum. Em “Iê iê iê” [a música], podemos observar uma crítica às bandas/cantores que fazem música para ganhar dinheiro e fama: “Eu sou mesmo um cara de sorte, cê não vê?/Ainda vou gravar um CD/Vou tocar no baile funk e no bufê/e vou ganhar meu próprio cachê”. A sonoridade da música ajuda, criando um clima de sátira para a letra.

Nas outras quatro músicas seguintes, “A casa é sua”, “Aonde você for”, “Vem cá” e “Longe”, a solidão em meio a grandes conquistas e a distância, independentemente do motivo, entre as pessoas são colocados em questão. Em “A casa é sua”, a guitarra assume uma batida de reggae em meio a arranjos de rock, criando uma excelente sonoridade e uma junção muito boa com a letra da música. A sonoridade de “Aonde você for” segue a mesma linha, embora seja um pouco mais rápida nas batidas de guitarra. Ainda seguindo essa mescla, temos “Vem cá”, com a guitarra ligeiramente mais distorcida. A letra de “Vem cá” trata de um casal que procura um lugar onde eles possam ficar já que “Em casa não dá pra ficar”.

A sonoridade de “Longe” – que é a música mais longa do cd – com dedilhados e um pequeno solo de guitarra, se diferencia bastante das outras três letras, embora em alguns curtos trechos tenha algumas semelhanças sonoras.

“Invejo” é uma música com várias mudanças de estilo no decorrer da canção. É interessante como Arnaldo Antunes conduz uma crítica, durante a música, sobre a inveja. De maneira irreverente, a música se assemelha em muitos momentos à uma crônica: “Invejoso/O bem alheio é o seu desgosto/Queria um palácio suntuoso/mas acabou no fundo desse poço”.

Enquanto o ator John Derek ficou famoso por proferir “Live fast, die young and leave a good-looking corpse”, Antunes quer mesmo é envelhecer. A música que leva esse nome contém trechos irreverentes sobre como tratar a velhice: “Eu quero pôr Rita Pavone/No ringtone do meu celular/Eu quero estar no meio do ciclone/Pra poder aproveitar/E quando eu esquecer meu próprio nome/Que me chamem de velho gagá”

Completando seguindo o pensamento de “Invejoso” e “A casa é sua”, temos “Sua menina”, onde as reflexões sobre o desprezo de alguém que, pelo ponto de vista do músico, tem uma excelente mulher, mas que não dá o devido valor à ela.

Em seguida, temos “Um kilo”, que puxa um estilo sonoro um pouco mais indie, mas Arnaldo Antunes deixa sua marca na letra da música. Na décima faixa, “Sim ou não”, Arnaldo Antunes volta as origens, com um estilo um pouco mais puxado para o punk do início de sua carreira e uma letra rápida e curta (quase 2 minutos de música apenas).

Encerrando, as faixas 11 e 12, “meu coração” e “luz acesa”, respectivamente, tratam ainda daquela lonjura, proposta desde a segunda faixa do CD, em que o ser humano vive. Pessoas próximas separadas pelo medo, pela falta de comunicação, pela incerteza.

O novo álbum de Arnaldo Antunes, com todas essas características, representa uma vitória da originalidade em meio a tantas bandas repetitivas que temos atualmente e dá uma sobrevida para o pop-rock brasileiro.



Anúncios

Read Full Post »