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Archive for the ‘Wikipédia’ Category

Cunhei esse termo, Netespectador, em 2008, quando ainda fazia experiências em meu blog de tecnologia da informação. Sabemos que a criação de um novo meio de comunicação gera, necessariamente, a transferência de aprendizagem dos meios anteriores para o novo. Essa transferência de aprendizagem pode ser positiva ou negativa, a depender da situação. Quando estamos, por exemplo, condicionados a interpretar a posição das letras num teclado ABNT2 de um computador brasileiro comum, temos uma extrema dificuldade em digitar em acentos num teclado americano. Já as letras, não teremos dificuldade alguma: transferiremos o nosso conhecimento sobre o teclado brasileiro para o teclado norte-americano.

Na web, estamos transferindo nossos conhecimentos acerca das mídias tradicionais. Estamos transformando a internet em nossa TV digital com hipertexto, esquecendo que a construção dessa nova mídia depende exclusivamente de conteúdo gerado por nós mesmos. Retire a participação do internauta e não existe internet. O problema do Netespectador, é que ele não acredita que sua participação constitui a internet. Tal como na comunicação de massas, o Netespectador não se reconhece enquanto indivíduo participativo.

São Netespectadores, na Wikipédia, aqueles que aceitam a informação do site como quem aceita a informação de um jornal da televisão: incontestável. Nos primórdios, a internet tinha essa diferença da TV: a informação era questionável. Na massificação do conteúdo, na ditadura do conhecimento, a Wikipédia se tornou a bíblia dos estudantes. Tornou-se não apenas fonte de conhecimento, mas de verdades também.

Nessa transição da mídia de massas para a mídia interativa, ainda teremos muitos confrontos sobre ética, conhecimento, alienação e verdades. Ao término dessa transição, veremos quem prevalecerá: o netespectador ou o internauta. Parodiando Renato Russo, por enquanto ainda somos a geração “Copia e Cola”.

Bibliografia

ANDERSON, Chris. Grátis – O futuro dos preços. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.

KEEN, Andrew. O culto do amador. Rio de Janeiro: Zahar, 2009.

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Para Chris Anderson, autor do livro Grátis – o futuro dos preços, existem outras formas de pagamento, além do dinheiro, que chamam a atenção dos “editores de conteúdo”, que de certa forma pode nos ajudar a compreender essa “necessidade” de criação que estamos vivendo:

Dos 12 milhões de artigos da Wikipédia aos milhões de objetos gratuitos de segunda mão oferecidos no Freecycle[1], estamos descobrindo que o dinheiro não é o único motivador. O altruísmo sempre existiu, mas a Web proporciona uma plataforma na qual as ações de pessoas possam ter impacto global. (ANDERSON, 2009, p. 27)

É esse tipo de raciocínio que a web se vale para criar uma espécie de “moeda virtual” onde o mais rico é aquele que contribui mais. Mas, Keen contra-argumenta, dizendo que o altruísmo não é suficiente: é necessário que a pessoa tenha o conhecimento técnico para executar as tarefas. Uma problemática semelhante é o caso da anulação do diploma de jornalismo para exercer a função. Segundo Keen, a web, especialmente a Wikipédia e os Blogs, estão tornando as funções de informação e conhecimento “amadoras”: “publicar nosso próprio jornalismo é grátis, não exige esforço e está a salvo de restrições éticas irritantes e conselhos editoriais importunos.”(Keen, 2009, p. 48)

É importante analisarmos então quais valores éticos estão por trás dessa convergência interativa de mídias. Mas como poderemos ter uma Wikipédia, por exemplo, livre de corrupção? Podemos confiar apenas no altruísmo das pessoas? É certo que podemos viver nosso mundo digital com apenas alguns reais por mês (o dinheiro da lan-house ou da banda larga), mas nós temos outras necessidades reais, como alimentação moradia, que só podem ser pagas, no sistema vigente, através de dinheiro real. Isso implica que precisamos trabalhar para nos sustentar. A Wikipédia não paga a ninguém (exceto seu próprio staff, composto de algumas dezenas de pessoas). Mas existem vários relatos de que alguns artigos (principalmente governamentais e de instituições privadas) teriam sido modificados positivamente ou negativamente mediante pagamentos externos. Isso é uma coisa que ainda precisa ser muito aprofundada na nova web que está surgindo.

Não bastando viver numa sociedade de competição, o próprio verbo “competir” segue uma definição de senso comum: vivenciar alguma atividade de modo que você seja vencedor da mesma, e os outros, perdedores. Vivemos num mundo onde, para vencer, é necessário que haja perdedores. A internet é a contradição em pessoa. A despeito dos grandes sites, nós, pequenos contribuidores do dia-a-dia, somos os verdadeiros construtores da web. E quanto recebemos financeiramente por isso? Nada.

A web está dando apenas seus pequenos primeiros passos. É ainda um bebê midiático, por assim dizer. Mas, por ser midiático, nossas raízes culturais da comunicação de massas ainda é onipresente em toda a web. Nós aceitamos sermos contribuidores, não donos da informação. Esquecemos que os grandes sites da web se baseiam em dados e informação. E quem cria essa informação? Nós, navegadores. O problema é que, talvez, nunca tenhamos sido navegadores. Talvez tenhamos sido sempre Netespectadores.


[1] Serviço virtual gratuito de trocas de bens reais (mobília, carros, imóveis, etc).

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Essa edição em larga escala nos verbetes da Wikipédia vem gerando uma legião de fãs e de céticos com relação a seu conteúdo. Para os fãs, a Wikipédia se tornou a salvação da informação gratuita, um local onde todos podem contribuir com o seu conhecimento, tornando a enciclopédia virtualmente infinita. O problema, de fato, é que nem toda a edição aumenta o conteúdo científico da Wikipédia. É comum encontrar um artigo que tenha sido “vandalizado”.

O vandalismo online, mais do que uma realidade, se tornou comum na Wikipédia. Um caso famoso no Brasil foi o da Modelo Daniella Cicarelli. Em Setembro de 2006, Cicarrelli foi flagrada por um paparazzo fazendo sexo numa praia pública da Espanha. O vídeo contendo as cenas foi publicado em vários sites de transmissão de vídeos, entre eles o famoso Youtube. Na ocasião, o site foi bloqueado pela justiça brasileira, após acatar uma liminar  expedida a pedido da modelo. Tal caso gerou muita discussão por todo o país, principalmente na internet, onde os “navegadores” se sentiram extremamente consternados. Foi então que seu artigo na Wikipédia foi invadido, não por hackers, mas por pessoas comuns, que o editaram inserindo palavrões e ofensas a Modelo. No final das contas, até hoje o vídeo está na internet, disponibilizado por centenas de sites de todas as partes do mundo. Mas a questão central é que a Wikipédia foi invadida por seu próprio público.

Na Wikipédia, qualquer pessoa que tenha um motivo pode reescrever um verbete como bem entenda – e os colaboradores frequentemente o fazem. A Forbes relatou recentemente, por exemplo, o caso de empregados anônimos do Mc Donald’s e do Wal-Mart que usaram furtivamente verbetes da Wikipédia para difundir propaganda corporativa de maneira enganosa. No verbete McDonald’s, um link para o filme documentário de 2001 Fast Food Nation, de Eric Schlosser, desapareceu convenientemente; no verbete Wal-Mart, alguém eliminou a menção a empregados mal pagos, que ganhavam 20% a menos que os da concorrência. (KEEN, 2009, p.10)

Tais fatos ocorrem com regularidade, algo que nunca ocorreria numa enciclopédia normal. Entretanto o cybervandalismo não é a maior preocupação da Wikipédia, posto que é facilmente identificado – tal como a pichação do graffiti. As informações falsas é que ocupam o primeiro lugar na lista de perigos da Wikipédia. Em dezembro de 2005, a revista científica Nature publicou um estudo em que vários artigos da Wikipédia e da Britannica (um antiga enciclopédia de prestígio da Inglaterra) foram colocados a prova. Os verbetes foram entregues a especialistas de suas respectivas áreas sem serem notificados de qual enciclopédia eram os mesmos. Ao final da pesquisa, a Britannica ficou com uma taxa de um erro a cada 2,92 artigos. Já a Wikipédia ficou com uma taxa de um para cada 3,86 artigos. Uma taxa de erros quase 75% maior que a Britannica.

É certo, entretanto, que os erros da Wikipédia são compensados, em parte, pela agilidade com que as informações se atualizam. Em muitos casos, verbetes são criadas ou editadas quase na mesma velocidade em que jornais noticiam novidades. Para ilustrar isso, a recente morte do locutor Lombardi, da SBT, foi noticiada pela manhã do dia 2 de Dezembro de 2009. Ainda pela manhã, o verbete da Wikipédia sobre o locutor já estava atualizado, contendo a hora, local e o possível motivo de sua morte. Até o final do dia, foram registradas mais de 50 modificações no verbete. Além disso, a possibilidade de ter acesso a muito mais informações acabada sendo um fator mais importante do que a confiabilidade das mesmas.

Entretanto, o erro na Wikipédia pode ser algo realmente sério. São comuns os casos de plágio cometidos por editores na Wikipédia e informações intencionalmente criadas, alteradas ou removidas.

Diferentemente do vandalismo e dos erros comuns (ou não intencionais), o erro intencional é muito mais danoso, pois indicia corrupção ou má fé do usuário. O vandalismo, apesar de ser um ato condenável também (Brincadeira ou vingança) é perceptível aos olhos até mesmo de um leigo. Os erros comuns muitas vezes são feitos por falta de informação dos próprios editores, que, uma vez diagnosticado, pode ser alterado (Como ele vai ser diagnosticado é um outro problema).  Mas o erro intencional é que realmente preocupa. Algumas informações são deletadas de verbetes para melhorar a imagem de tal pessoa ou aquela empresa. Ou o contrário.

Tome, por exemplo, 5 de julho de 2006, a data em que Ken Lay, o defraudador da Enron, morreu. Às dez horas e seis minutos da manhã daquele dia, o verbete sobre Lay dizia que ele morrera de um ‘aparente suicídio’. Dois minutos depois, dizia que a causa da morte fora um ‘aparente ataque cardíaco’. Minutos depois, às dez horas e onze minutos, a Wikipédia relatava que ‘a culpa por arruinar tantas vidas finalmente o levou ao suícidio’.(KEEN, 2009. p. 24)

Já o plágio talvez seja um fenômeno da web 2.0 mesmo. O aumento exponencial dos blogs fez com que muitas pessoas, sem a mínima base educacional sobre direitos autorais ou copyright, publicassem frases ou pedaços inteiros de livros e textos sem referência alguma. É fácil de encontrar também essas pessoas tomando para si os conteúdos de terceiros, onde elas publicam a mesma informação com seus pseudônimos.

Na Wikipédia, muitos editores utilizam o Google ou outros buscadores para encontrar informações para os verbetes. Depois, é só usar o prático comando “Ctrl+C e Ctrl+V[1]” e trocar algumas palavras por sinônimos, apagar algumas frases, inserindo ali, modificando aqui, enfim, criando um verdadeiro monstro de Frankenstein, pegando pedaços de várias fontes e colocando de maneira muitas vezes desorganizada para criar um verbete “inédito”.

Essa é uma das consequências de se utilizar um sistema de contribuição numa sociedade competitiva. Queremos aparecer a qualquer custo, na sociedade em que os quinze minutos de fama foram substituídos pelos quinze minutos de privacidade, estamos vivendo um paradoxo: ao mesmo momento que queremos privacidade, quando não dispomos de um meio de divulgar nossas ações, entramos em colapso. Estamos ficando acostumados com a idéia de podermos divulgar, sem custo algum, em qualquer lugar, nossos dizeres. Quando somos frustrados, seja por terceiros, pelo Google ou por nós mesmos, entramos num ciclo desconhecido de depressão e angústia, somente superado após nos externarmos em algum meio.

Mas como vivemos num ambiente competitivo, não basta publicar, tem que fazer efeito. Mas quando não se consegue publicar, a cópia de algo bem feito vem a calhar bem. Ainda não entendemos o verdadeiro significado de contribuição. Não fomos doutrinados para internet, assim como ninguém se deu ao trabalho de nos fazer pensar com relação à televisão ou ao rádio. Todos nós sabemos que a internet está transformando integralmente nossas vidas e hábitos, mas ninguém sabe como, ninguém sabe por quê. Pior, ninguém se interessa em saber.


[1] Atalho pelo teclado, comum na maioria das aplicações web, para copiar e colar, respectivamente, um texto, uma imagem, ou qualquer coisa que o sistema e o site permitam.

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Uma das principais críticas com relação à Wikipédia é se ela realmente gera conhecimento. Críticos, em sua maioria conservadores, argumentam que uma coleção de informações gerais, depositadas de maneiras aleatórias e sem nenhum critério de avaliação não constitui um conhecimento válido para a produção humana.

O problema, em linhas gerais, é que a Wikipédia, apesar de armazenar informações de vários usuários, deixa a desejar no momento da avaliação das informações, deixando na página principal de cada verbete apenas as informações referentes à última edição. Explicando melhor: No momento em que um usuário da Wikipédia, anônimo ou não, edita um verbete da encilopédia, é criada automaticamente uma cópia da verbete antes da edição. Essa cópia fica armazenada no gigantesco banco de dados da Wikipédia, mas o seu acesso é bastante oculto e praticamente inviável à um usuário leigo.

Pois bem, as verbetes já editadas, por sua vez, podem ser editadas novamente ou simplesmente deletadas. O problema, entretanto, fica um pouco mais complexo quando duas pessoas têm opiniões divergentes sobre determinado assunto. Nesses casos, muitas vezes se procura o consenso entre as partes envolvidas ou, não menos raro, ocorre uma votação, informal ou não, entre os membros cadastrados no site, onde, como se é de imaginar, a informação que é de agrado para a maioria é a que prevalece.

Já nesse momento, percebemos que, conforme aumenta o nível da complexidade envolvida na Wikipédia, usuários menos assíduos tem suas opiniões descartadas. “Mas não bastaria a pessoa se tornar um membro da Wikipédia?” você poderia se perguntar. Sim, é verdade. A partir do momento que você se cadastra no site você ainda não tem direito a voto. É necessário ainda que você tenha pelo menos 45 dias registrado e ter feito 100 contribuições válidas à Wikipédia – o que, em geral, pode levar bem mais que 45 dias.

Essas medidas são tomadas para evitar o uso de “laranjas” ou usuários fakes[1]. Mas, de certa forma, isso restringe a participação de qualquer usuário e acaba elitizando, de certa forma, a democracia na Wikipédia.

Por exemplo, tomemos o caso de um físico que encontra um verbete errado na Wikipédia. Ele, após editar seu artigo, o vê modificado outra vez. Então, caso ele queira colocar novamente suas informações, será preciso ganhar o debate por meio de votação, onde (assim como nas eleições políticas) o histórico do participante é ostensivamente levado em consideração. Portanto, de um lado temos um físico que fez uma única edição e do outro lado temos um contribuidor assíduo da Wikipédia, com mais de mil verbetes editadas e criadas. As chances do físico ganhar uma votação em que ele nem pode votar são poucas, já que são poucos também os usuários da Wikipédia que realmente dominam o assunto o suficientemente bem para uma discussão de nível elevado.

Além disso, mais uma vez, surge o dilema do fake. Como saber se o físico é realmente um estudioso da área? Como saber se ele não é apenas um garoto de 13 anos que está apenas se divertindo? A democracia e a identidade na web ainda são problemas sérios e um pouco distante de serem resolvidos. O físico tem suas contribuições apagadas.


[1]Um usuário fake é um tipo de usuário que não representa uma pessoa no mundo real. Os fakes geralmente ocultam sua identidade, fornecendo informações falsas (da onde deriva o termo fake, que, em inglês, significa “falso”) sobre sua vida, na maioria das vezes de forma maliciosa.

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A Wikipédia é um site da World Wide Web que simula uma enciclopédia online livre colaborativa. Surgiu em 2001 e rapidamente cresceu tanto de tamanho em kilobytes como em popularidade no mundo virtual. Hoje é considerada a maior enciclopédia on-line do mundo (apesar de apenas 1 em cada 10 mil visitantes colaborarem ativamente). Uma das coisas que tornam a Wikipédia tão atraente como contraditória e confusa é justamente a sua estrutura em Wiki. O sistema Wiki (que deriva do havaiano wiki-wiki, que significa “rápido”, “veloz”, etc) permite que qualquer pessoa edite o conteúdo de um site em determinadas sessões. A Wikipédia, então, utilizou esse sistema, cujo código é livre, para que os usuários pudessem inserir e editar conteúdos, no formato de uma enciclopédia.

Passado o tempo, a Wikipédia cresceu e não apenas textos “científicos” eram produzidos, mas também arquivos de citações, vídeos, fotos e gravações sonoras. Um site para gerir todas essas informações foi criado: Wikimedia.org. Nesse site, existe o redirecionamento para a Wikipédia e outras variantes como “Wikitionary”,”Wikiquote”,”Wikibooks” entre outros.

Sendo assim, a Wikipédia concorre diretamente com outras enciclopédias tradicionais, como a Barsa e a descontinuada Encarta. Tirando da própria Wikipédia, temos uma definição de que uma enciclopédia é “uma coletânea de escritos em larga escala, cujo objetivo principal é descrever o mais aproximado possível o relativo à concepção atual do conhecimento humano. Mais especificado, pode-se definir como uma obra que trata de todas as ciências  e artes que é concedida em um máximo limite do conhecimento do homem atual.” Apesar de seu enorme sucesso, surgem diversas controvérsias com relação a Wikipédia,  a maioria devido à livre contribuição de qualquer pessoa em seu conteúdo.

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