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Posts Tagged ‘pesquisa’

Ao criar um site de humor negro, percebi que estava interagindo com vários aspectos sócio-culturais humanístico. O humor faz parte do dia-a-dia, tanto para tornar nossa vida mais alegre, como para torná-la mais suportável. Podemos dizer que o humor negro é uma forma de criticar alguma coisa ao mesmo tempo em que se brinca com ela: é o chamado humor sério. Mas é, ao mesmo tempo, também “sair do sério”, deixar as coisas mais descontraídas, inverter os valores de uma determinada colocação. Portanto, no humor negro, temas tabus, como religião e opção sexual, se tornam banais. Banais no sentido de quê se igualam a todos os demais temas.

Mas o site criado dialoga com muito mais do que apenas isso. É interessante observar cada um desses aspectos individualmente e, em seguida, colocá-los numa única só posição.

Em primeiro lugar, vamos observar a plataforma midiática (ou o meio midiático) em que nossa “arte” será exposta. Hoje em dia, qualquer um pode fazer um site. Aliás, há tempos em que fazer um site deixou de ser uma coisa complexa, cheia de códigos HTML e outras nomenclaturas técnicas incompreensíveis para um leigo. Existem vários sites, como wordpress.org e Joomla.com que permitem que você crie seu próprio site a partir deles. Outra coisa que facilitou bastante também o “boom” dos sites na web foi a redução da burocracia e dos custos no momento de registrar um domínio. Um domínio, que é o endereço do site (No nosso caso, http://www.acidodesoxirribonucleico.net), pode ser criado em questão de minutos. Quando fomos registrar nosso domínio, nós estávamos imediatamente conectados ao banco de dados das instituições que faziam o registro, ou seja, no mesmo momento em que tentávamos registrar um domínio, o site já respondia, quase que automaticamente, se aquele domínio já existia. Pois bem, depois de comprado o domínio, em menos de 5 minutos ele já estava disponível para usarmos.

Essa mesma velocidade que tivemos para registrar um domínio, nós tivemos no momento de criar o site. Em poucos minutos, graças a um dos sites listados, estávamos com nosso site pronto para inserir e divulgar conteúdo.

Tal facilidade está criando um crescimento significativo no número de pessoas com sites próprios e pessoais. Os blogs estão migrando para domínios próprios, por assim dizer, mudando um pouco de sua essência, através da construção de páginas e hospedagem de diversos arquivos.

Agora voltemos ao conteúdo. O humor negro é um tipo de humor que combina perfeitamente com a web atual, principalmente na web brasileira. Uma das justificativas possíveis é a que, ainda hoje em dia, apesar das lan-houses de 1 real a hora, e vários locais de acesso à internet gratuitos, a net ainda não é uma realidade para a maioria esmagadora de nosso país. Dados do ano passado, divulgados pelo Ibope, apontam que, aproximadamente 40 milhões de brasileiros acessam internet. Ou seja, uma média de 20% da população. Se levarmos em conta ou que acessam em casa e que dispõe de banda larga, esse número deve cair bastante. Dessa forma as pessoas que acessam a internet ativamente ainda se restringem à classe média e alta do país, por isso que o humor negro funciona tão bem na internet. Por quê? Ora, o humor negro requer que a pessoa tenha um certo nível de conhecimento sobre diversas áreas do saber, uma vez que a maioria das piadas dizem a respeito de uma situação existente, não apenas de uma criação fictícia. É comum uso de história, conhecimentos gerais e até mesmo filosofia nas piadas. Mas, não menos comum também, aparecem temas como suicídio, racismo e violência, o que, de certa forma, inviabiliza o aparecimento do humor negro em mídia de comunicação de massas, como a TV, posto que essa é conservadora, e o humor negro propõe o contrário, atingindo principalmente nichos culturais.

Outra coisa que chama a atenção em nosso trabalho não são apenas as piadas, mas a forma em que elas são exibidas. Já vimos que o suporte utilizado é a web, mas a web é uma mídia de convergência, ou seja, ela integra várias outras formas de comunicação. Certo, vamos dissecar então. Nós usaremos a comunicação visual, através de imagens e textos. Trocando em miúdos, usaremos WebComics, história em quadrinhos publicada na internet. O primeiro webcomic a fazer sucesso no Brasil foi o Cyanide and Happiness, publicado no site Explosm, em 2004. Os autores se valiam de três combinações poderosas para o sucesso: um, a internet; dois, o humor negro e; três, um desenho tosco. Isso mesmo, um desenho tosco. Os personagens de Cyanide and Happiness não tem nenhum traço elaborado em seus desenhos. Muitas vezes poderiam ser confundidos com rascunhos por leigos. São usados “bonecos palito” nos quadrinhos. De certo modo, pelo o que podemos analisar até agora, a grande aceitação do público se deu, de certa forma, porque as pessoas se identificavam com a situação, com o desenho. A verdadeira atração deixou de ser os detalhes bem trabalhados, presentes em vários HQs norte-americanos e mangás japoneses. A ideia, a piada, o conteúdo começou a se tornar mais valiosa na internet. Ocorreu então uma verdadeira explosão de quadrinhos feitos por milhares de pessoas amadoras, no paint (um robusto programa de desenho do Windows) – é importante destacar o uso da palavra “amadores” aqui, pois os autores de Cyanide and Happiness são desenhistas profissionais.

Atualmente existem milhares de WebComics espalhados por toda a rede, não somente de humor negro, mas também dramas e até mesmo histórias reais. Com a facilidade do uso da internet aumentando a cada dia e a possibilidade de acesso numa crescente em inércia, os limites para criação estão ficando cada vez menores.

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